Em nossa recente visita ao estado de Rondonia pude perceber como duas faces se entrecruzam nesse caminhar doloroso que nossa Amazônia vive. De um lado a beleza selvagem que nos encanta e que nos faz sentir tão pequeninos diante da Natureza punjante. Do outro, o sofrimento dessa mesma Natureza diante de um avanço desmedido e destruidor.
Do avião é possivel se ver as inumeráveis fogueiras e queimadas que enchem os céus. É possível se ver o açoreamento de rios com imensas ilhas de area e redução acachapante de suas margens. Onde havia matas ciliares, agora se vê verdadeiras cercas vivas com um punhado de árvores assoberbadas na sua função de gerar suficiente recursos para a continuidade das fontes.
Em solo, o quadro não muda e nos assusta o número de toras de madeiras sendo transportadas para madereiras e carvoarias. Extensões de pastos onde dantes florescia a virgem floresta. Neles apenas os exemplares solitários das castanheiras morrendo gradativamente por não terem suas eco-irmãs para se alimentarem mutuamente. Secam e morrem silenciosamente mesmo com sua bela altivez de permanecerem de pé.
Ainda existe beleza em meio a tudo isso. Mas não se sabe até quando. Muitas vezes o sol ao cair parece apenas uma pequena Lua de tanta fumaça que lhe encobre, no dizer de nosso hino `os raios fúlgidos`.
Ao me deparar com a enormidade do rio Madeira fico a pensar em que ele pensa do imenso canteiro de obras que está instalado de fronte para Porto Velho. Alí, máquinas e homens-máquinas constroem velozmente um processo destrutivo que levou milhares de anos para ser amalgamado. São as hidorelétricas que vem em nome do progresso mas que na verdade trarão consequencias danosas à fauna e à flora em troca de kilowatts.
O que fazer diante de um quadro tão desanimador? Como Igreja instalada nesse pontal da Amazônia Legal brasileira, noso dever é continuar lutando para ajudar nosso povo a enfrentar com sua fé e com seu testemunho os muitos desafios.
Associações de promoção de direitos e parcerias com o poder público são instrumentos que ainda podem ser buscados como forma de garantir o mínimo de dignidade às famílias. Hortas comunitárias e produção de alimentos de subsistência são o caminho que se está propondo nas comunidades anglicanas daquele estado.Um estado pobre mas com uma oligarquia fantasticamente rica.
Neste território dominado por tantas contradições, a IEAB se faz presente e cada vez mais crescentemente. Uma presença profética que tem nos pequenos produtores e assentados um grande rebanho que tem recebido com gratidão nossa presença pastoral. Cada vitória é celebrada com ações de graça.
Um novo ponto missionário está estabelecido em Alto Paraíso, um município a sessenta quilometros de Ariquemes. Ali, onde se respira o pó das madeireiras, nossa presença pode significar uma comunidade de esperança.
Meus agradecimentos ao povo do Distrito Missionário. Foi uma alegria encontrar em Porto Velho, em Ariquemes e em Alto Paraíso pessoas compromissadas com um mundo diferente. Um mundo que está nos seus sonhos que conspiram contra a difícil realidade ao redor.
No site da IEAB poderão notar a evolução da visita e dos eventos em torno dela. Estivemos junto com o bispo Almir e com o reverendo Carlos Calvani realizando a visita ao Distrito e participando de sua assembléia distrital. Conosco estiveram em todos os momentos os reverendos Hugo Sanches e Paulo Tamaki. Foram dias de festa e de renovação de esperança!





