O cenário político do Rio Grande do Sul anda mais que agitado nestes dias com a retomada de denúncias que envolvem a governadora do estado. A causa para tal reboliço se enquadra em um contorno composto de escutas telefônicas, um corpo encontrado no Lago Paranoá e uma casa de R$ 700 mil reais.
Todas esses elementos que compõem a cena não são novos. Já foram aventados desde a investigação política e policial sobre o DETRAN-RS. O que há de novo mesmo é que a revista Veja resolveu apimentar a história com a divulgação de gravações telefônicas e de um depoimento de uma nova personagem que deixa a governadora com o ônus de lutar por sua sobrevivência política.
Com certeza, nos próximos dias, se assistirá a um jogo no qual não se pode prever o resultado, mas que certamente terá contornos e bastidores dignos de muita atenção.
Me parece que as coisas poderiam ser muito mais simples se se adotasse um caminho infalível para provar a inocência ou a culpa da governadora. Chama-se rastreamento – hoje um instrumento eficaz que está ao alcance do sistema financeiro. Existe uma operação financeira de compra (uma casa) e um valor empregado na compra. Esse valor fez um caminho de entrada e de saida. Basta identificar esse caminho. Simples, não é? Pois é. Mas ninguém parece interessado em seguir essa lógica. Ou porque ela será implacável com sua defesa e/ou acusação ou porque ela não dará o combustível do qual se vive na política: a representação midiática de qual todos precisam.
Digo isso porque temos assistido longos espetáculos de investigação às custas de dinheiro público que terminam por apontar o óbvio: a culpa ou a inocência. O escândalo costuma enriquecer muita gente politicamente. A via crucis de um político é o alimento da ressurreição de outros. A política parece necessitar disso. Essa Via Crusius ainda vai levar um tempo e tanto a governadora quanto seus adversários precisam desse tempo para ocupar a mídia e ter seus minutos de celebridade.
A governadora parece que vai se submeter a esse longo desgaste, mesmo percebendo que os apoios se tornam cada vez mais escassos. Ela pode estar acreditando que assumir a imagem de perseguida, de vítima ou de mártir ainda lhe renda frutos políticos.
Os seus opositores precisam assumir o papel de algozes. Há uma necessidade cênica disso, pois afinal a política é teatral na acepção mais semântica possível.
É nesse sentido que afirmo: a solução pode ser simples. Resta saber se uma ou outra parte tem interesse nessa simplicidade!
Quando terminará a VIA CRUSIUS?
Maio 13, 2009 por xicosilva59


