A frase acima, dita pelo deputado federal Sérgio Moraes (PTB-RS) é apenas um indicativo do que pensam alguns representantes do Congresso Nacional sobre o povo brasileiro. E o mais deprimente disso é perceber que seu autor é, nada mais nada menos, do que o relator da Comissão de Ética sobre o processo contra outro deputado dono de um famoso castelo (objeto de um post anterior meu).
Se pensarmos que essa frase pudesse ser dita por um parlamentar em sistemas democráticos mais amadurecidos certamente isso lhe valeria o cargo. Mas no Brasil, a despeito de alguns avanços na capacidade de nosso povo exercer controle social sobre nossas instituições, essa frase será apagada rapidamente da memória e talvez o deputado só sofra uma leve censura de seus pares.
Esse mesmo deputado está respondendo processo no STF por ter, imagem só, instalado um telefone público dentro da residência de sua família. Mas mesmo assim, com tal invejável currículo, o deputado ainda é designado para ser membro do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.
A onda de denúncias sobre a farra das passagens aéreas, contrato superfaturados, nomeação de parentes e otras cositas mas que tem ocupado a mídia nos últimos meses representa apenas uma coisa: a classe política brasileira está longe de ser digna – em grande parte de seus quadros – da lisura e da honestidade exigiveis aos que se propõem ser representantes do povo.
Para muitos, como o deputado Sérgio Moraes, o povo é apenas um detalhe eleitoralmente imprescindível para alcançar o poder e transformar a vida pública em instrumento de interesses privados.
Com raras excessões, esse é o retrato da classe política brasileira. Uma pena. O Brasil merecia coisa melhor.
Estava na hora de se criar um organismo de controle externo ao próprio Congresso, independente dele, inamovível para controlar o desempenho do mandato dos parlamentares. E mais, com capacidade de recomendar perda de mandato nos casos de clara violação da ética, seja por atos, seja por palavras. Não falo aqui de censura política, mas de controle ético de mandatos.
“Tô me lixando para o que pensa a opinião pública”
Maio 7, 2009 por xicosilva59
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