
aproveitando um vacilo da segurança..
A primeira impressão não foi das melhores. Imagine que a imprensa já tinham contra si um estereótipo nada favorável. Tínhamos todos a identificação em azul e isso fazia com que as pessoas evitassem ao máximo a nossa proximidade. Soube que no treinamento dos stewards a recomendação era: olho nos azuis e cuidado, mas muito cuidado com eles! As esposas também foram advertidas a evitar qualquer abordagem. Os bispos, bem, estes também foram recomendados a manter uma distância razoável…
A outra restrição era de que não podíamos estar nos principais lugares onde bispos e esposas se reuniam para estudos, plenárias, grupos, enfim, para que se evitasse assédio da imprensa louca por captar esse ou aquele momento que gere manchete.
Para se ter uma idéia, eu e Zenaide – nossa editora do Estandarte Cristão – tivemos que ser literalmente “escoltados” pela segurança para poder assistir no plenário a Oração Vespertina presidida pelo Brasil. E isso mediante a boa vontade de nossos companheiros anglicanos do midia center.
A única oportunidade que realmente tínhamos com os bispos e esposas eram os intervalos de refeições. O resto era trabalhar no midia center e participar das bem organizadas coletivas de imprensa, disputando com os cobras da BBC, The Guardian, Times e outras feras o espaço de perguntas aos entrevistados.
Por essas razões, não pudemos fotografar, gravar vídeo ou entrevistar ninguém nos momentos principais da Conferência.
Havia uma rotina bem definida. Toda manhã, as 9:45 tinhamos um contato com a coordenação de comunicação da Conferência na sala de imprensa que nos apresentava o programa do dia e sempre trazia uma pessoa para uma rápida entrevista. As 1:30 da tarde a tradicional coletiva de imprensa com algum personagem mais relevante no processo da Conferência. Foi esse momento que oportunizou as coletivas do Arcebispo de Cantuária – três ao todo – sendo a última um pouco mais tarde porque a sessão plenária final atrasou um pouco.
É muito interessante esse mundo da imprensa. Descobri – como marinheiro de primeira viagem – alguns segredos. É muito importante ter uma boa relação com quem coordena as coletivas de imprensa. Lembro que algumas perguntas que fiz a alguns entrevistados o foi pela insistência e pela boa relação com os coordenadores da comunicação. Prevaleceu, uma pequena preferência por eu ser midia eclesiástica.
A língua é outro problema. Realmente ela pesa. Algumas respostas e ou perguntas de colegas quando não são percebidas satisfatoriamente dá um sentimento de frustração enorme. A Conferência foi um mosaico de acentos da língua inglesa que em alguns momentos nos imobilizou completamente. Tanto a mim como a Zenaide.
Mas foi também um exercício de parceria com nossos irmãos do Episcopal Media. Fiz as traduções dos relatos diários da Conferência que diariamente eram feitos por um, dois ou até três bispos. Eram curtas sinteses de como tinha sido aquele dia. Traduzi todas elas para o português e todos foram incluidos no site do Episcopal Life.
Mantivemos também diariamente nosso site da IEAB atualizado. Sempre porcurando manter nosso povo aqui no Brasil de certa forma informado de como a Conferência estava acontecendo. Texto e imagem e alguns videos – dois da marcha e um do Primaz falando sobre Lambeth foram disponibilizados.
Foi bom receber e-mails e reações de muita gente. Isso é uma coisa que motiva quem está gerando a notícia.
Mas todo o trabalho árduo que foi feito teve sua compensação. Saber que esta Conferência foi uma oportunidade de nossos bispos compartilharem com outros as virtudes da Comunhão e também os limites e tensões dela, é ter a certeza de que nossa Igreja tem muito a crescer na qualidade do seu testemunho.
Agradeço a contribuição que Zenaide ela deu no processo. Infelizmente o trabalho dela ficou complicado pela não disponibilidade de computadores. Numa era em que o lap top está altamente em moda, a estrutura da Conferência não pensou nas pessoas que não carregavam consigo computadores pessoais.
Foi um grande aprendizado para mim e para Zenaide.Eu ainda muito mais porque não sou jornalista e não tenho o cacoete de formação em midia. Ver a diversidade da Comunhão ainda mais de perto é algo – conforme a propaganda do cartão Mastercard – que não tem preço.




